quinta-feira, 31 de março de 2011

GRUPO DE VIDA JOÃO PAULO II COMEMORA ANIVERSÁRIO DO PE. AGOSTINHO


Nesta manhã de Quinta Feira nós que compomos o Grupo de Vida João Paulo II tivemos alegria de junto com o Pe. Agostinho celebrarmos o seu aniversário; para nós é sempre alegria de partilharmos momentos como estes com o Pe. Agostinho, pois na sua simplicidade ele nos ensina que para sermos santos é necessário sermos simples, pois assim serviremos melhor os nossos irmãos.
 Que Deus abençoe nosso querido Pe. Agostinho
 Pe. Agostinho com o Grupo


Hora da partilha

VOCAÇÃO: SABER OUVIR E ESCOLHER A MELHOR PARTE

      Quis e quer o Senhor servir-se de homens para salvar os homens

Por Dênison Ricardo da Costa Barbosa - Seminarista
1º Filosofia - Graduado em História
Santa Cruz/RN

Toda vocação é dom de Deus. Não somos nós que O escolhemos, mas Ele é quem nos escolhe. A iniciativa do Senhor, entretanto, não dispensa a nossa resposta. Na Bíblia, são muitos os personagens que aceitaram o convite a desempenhar alguma missão que, na verdade, era sua contribuição à história da salvação. “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38), foi a resposta de Maria, que é o modelo para todo aquele que, mesmo sem muita clarividência, decide ser um colaborador da ação de Deus no mundo.
Quis e quer o Senhor servir-se de homens para salvar os homens. É para isso que quero ser sacerdote. Creio que só poderei conduzir os outros a Cristo se eu O tiver como o melhor e mais íntimo amigo.
Comecei a sentir o chamado divino em minha vida há muito tempo, quando, vendo o exemplo do memorável Monsenhor Raimundo, percebi que poderia trilhar seus passos.
Foi então que despertei para o sacerdócio como uma forma de encontrar sentido existencial e de poder servir aos homens, que são tão sedentos de Deus e precisam de quem lhes dê a “água viva”, Jesus Cristo.
Em 2009, já com 25 anos, decidi participar dos encontros vocacionais do Seminário de São Pedro. Poderia ter decidido mais cedo, mas “debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa” (Ecl 3, 1). Percebo a ação de Deus em minha vida, até naquelas experiências que me afastaram Dele. Hoje tenho certeza de que Deus foi arrumando tudo com precisão para que eu, no início de 2010, ingressasse no Seminário.
Mas é necessária muita sensibilidade para continuar reconhecendo as manifestações do Senhor em nossas vidas para assim termos cada vez mais clareza sobre o que Ele quer para cada um de nós.

LITURGIA DIÁRIA

“Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor: não fecheis os vossos corações.”.



Primeira Leitura: Jr 7,23-28
Sl 94
Evangelho: Lc 11,14-23





 

“A língua revela o coração do ser humano; as obras devem corresponder às suas palavras” (Paul de Surgy)
“Nenhum tipo de trabalho é insignificante... Se um homem é chamado para ser varredor de rua, deveria varrê-la assim como Michelangelo pintava, como Beethoven compunha música, ou como Shakespeare escrevia poesia. Deveria varrer a rua tão bem que todas as legiões do céu e da terra diriam: “- Vejam um grande varredor de rua que faz bem o seu trabalho”. Procurem descobrir para qual são chamados, e depois ponham-se a fazê-la apaixonadamente. (Martin Luther King)

quarta-feira, 30 de março de 2011

EXPERIÊNCIA QUE ANIMA A VOCAÇÃO

O Evangelho na Vida da Missão

Erivaldo Barboza
Seminarista III Teologia
Pertence a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – São Rafael – Itajá

Cada experiência missionária que vivenciamos no decurso da nossa vida são proporcionados momentos fortes que nos marcam, dentre algumas experiências que já fiz quero partilhar com vocês uma que para mim foi o dia em que diante de Jesus Cristo, como seu discípulo missionário ouvi Ele contar mais uma vez para nós o Evangelho da pobre viúva (Lc 21,1-4). E neste momento compreendi que é válida toda experiência missionária que fazemos, pois ela nos dá lições de vida que nos ajuda a viver e ver o Evangelho no dia-a-dia.
Numa missão que participei no ano de 2007 na cidade de Ipanguaçú/RN uma região sofrida, castigada pela seca a atitude de uma senhora, casada mãe de dois filhos me chamou a atenção, que para mim foi motivo para vivenciar o Evangelho da pobre viúva que Jesus contou aos seus discípulos, que depositava no cofre do templo tudo o que ela possuía.
A missão se deu nas comunidades rurais da paróquia, e lá, a senhora morava em uma comunidade pobre, a única fonte de renda era a agricultura e a pesca, mas infelizmente naquele momento a seca castigava a região. Ela nos acolheu em sua casa, que era de taipa, com apenas uma sala, cozinha e um quarto, que se olhando com os olhos da razão perceberíamos que não havia lugar para hospedar mais míngüem, imagine hospedar seis pessoas. Mas, o carinho com que ela nos recebeu foi semelhante à alegria de uma mãe que recebe um filho ao retornar a sua casa, ou, a felicidade do Pai em receber o Filho prodigo que retornou ao seu convívio (Lc 15,11-32), saímos para as visitas e quando voltamos a noite ela havia preparado o jantar para nós que éramos um grupo de seis seminaristas. Havia feito um jantar simples, e quando chegamos ela disse: “só preparei esse lanche, pois é tudo que tenho”. Na situação que nós vimos e presenciamos a casa, realmente aquele simples jantar era a única coisa que havia naquela pobre casa para ser ofertada. Todavia, aquela grande mulher não se preocupou em depositar o seu único necessário, diante daqueles que estavam ali para anunciar o Cristo.
No momento lembrei-me da viúva que deu a Deus tudo que possuía. E aquela senhora tão humilde, fez para nós que estávamos lá em nome de Deus, tudo o que ela possuía. Pois, a lição que tiramos para nós que pretendemos ser sacerdotes deve ser o reconhecimento de que devemos dá a esse povo tudo o que de melhor temos, amando o povo de Deus, de maneira bem particular os mais pobres, os preferidos de Cristo.
IRMÃS DE SÃO JOSÉ JUNTO COM A COMUNIDADE INAUGURAM BANHEIRO ECOLÓGICO

Esse ano no Brasil o tema da campanha da fraternidade, reflete sobre a fraternidade e a vida no planeta terra. Com alegria de estarmos contribuindo com a vida e a preservação do planeta a comunidade de Boa Esperança, Santarém, Pará inaugurou o segundo banheiro ecológico feito com tijolos de garrafa pet, uma alternativa para as famílias pobres da nossa comunidade. São pequenos gesto de preservação do meio ambiente, que nos ajudam e reduzir, reciclar e reutilizar o lixo da comunidade. Nós irmãs de São José, juntamente com você e o grupo ecológico padre Médaille estamos buscando soluções simples para dar um destino ecologicamente correto aos vasilhames de garrafa pet, que trás grandes impactos para natureza. Assim podemos afirmar que a natureza é a herança gratuita que recebemos de Deus e que devemos cultivar ( DA.47).
Louvado seja Deus, por todos aqueles que contribuíram com esse gesto de partilha tão importante para a família de Dana Rosa, que com dedicação fabricou o próprio tijolo para ter seu sonho realizado possuindo o banheiro.
A todos o nosso agradecimento pela vossa generosidade e solidariedade! Que o Deus da vida vos proteja sempre no cuidado com a sua Criação.
Um abraço em Cristo, Irmã Graça pela comunidade.

Você consegue ver Cristo nos membros de sua casa?

Rosselini Alves
Analista de suporte Técnico
Natal – RN

Sempre ouvimos que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e é verdade, está escrito no livro de Genesis. Sabendo dessa verdade devemos nos questionar: Será que vemos os nossos familiares, nosso(a) ou esposo(a), filhos, como imagem e semelhança de Deus? Quantas vezes os vimos sofrendo, carregando uma cruz pesada, a cruz do sofrimento, das angústias e até mesmo por nossos atos e não fomos capazes de ser como o Simão o Cirineu (Lc 23,26) que ajudou a Cristo a carregar o peso dos nossos erros nos ombros. Quantas vezes somos uma cruz na vida dos outros? Será que você esposo está sendo um São José para sua esposa ou um Judas Iscariotes? Você esposa está sendo uma Maria na sua casa ou pouco importa? Devemos nos considerar imagens de Deus pelos nossos atos para poder sermos enxergados dessa forma. Ver nas pessoas da minha casa, no meu trabalho, a imagem de Deus é um ato de amor, e muitas vezes enxergamos apenas os erros, os defeitos, matando essas pessoas das nossas vidas, pois, o pior homicídio e o que nos sequestra a alma e nos causa feridas afetivas. Para que isso não aconteça é preciso enxergar com o coração, com os olhos da alma, olhar além dos defeitos e ver no outro o nosso reflexo, pois ninguém é melhor, somos todos iguais.
O Cristo Jesus nos eleva se formos humildes na arte de amar, por isso devemos apenas amar. Sendo assim, agindo dessa forma, nossos relacionamentos já ganharão uma imensurável reforma, evitariam-se as brigas os desentendimentos. Será que vocês cônjuges já pararam para pensar: Será que eu teria coragem de agredir Cristo com palavras e com atos de xingá-lo ou bater no seu rosto? Se sua resposta for não, e eu espero que seja, vocês não tem o direito de fazer isso um com o outro nem com os filhos, pois somos sacrários vivos de Deus. E se isso já aconteceu, perdoem-se mutuamente no amor, confessem-se, procurem um padre e conversem, garanto que essa experiência é maravilhosa.
CRIACIONISMO VERSUS EVOLUCIONISMO: UM PROBLEMA ARTIFICIAL

Parece ser que algum grupo fundamentalista norte-americano está tentando impor a teoria criacionista dentro do sistema escolar, contra a perspectiva científica da teoria das espécies de Darwin. Mais uma vez aparece aquele antigo problema que é, na minha opinião, absolutamente artificial, da razão contra a fé, ou da Bíblia contra a ciência. Esta situação é mais própria de estreitas interpretações bíblicas e de autoritários hábitos eclesiásticos ultrapassados, do que deste século XXI. Vejamos:
A)        Resumindo os dados bíblicos
1.         A experiência histórica de Deus é, originalmente, a experiência de um Deus único e libertador que, por meio de Moisés, tirou os escravos do Egito, constituiu um povo com o qual fez sua Aliança e a quem deu uma terra. É uma experiência histórica que se data nos tempos do faraó Ramsés II. Este Deus encontra sua expressão ancestral no Deus de Abraão, de Isaac ou de Jacó. Mas, a partir de Moisés e da experiência de libertação, Deus tem um nome YHWH, que significa “aquele que é” ou “que é”, no sentido daquele que vai com seu povo. A Aliança de amor e de fidelidade entre Deus e seu povo constitui a nação de Israel. Mesmo que a própria Bíblia não esconda as constantes infidelidades e quedas idolátricas do povo. Porém, apesar de tudo, a fé de Israel é constante, pois é uma recitação das “maravilhas operadas por Deus”, quem os tirou da escravidão do Egito e os conduziu para a “terra onde mana leite e mel”. Isto é o “creio em Deus” nacional israelita.
2.         A experiência de Deus como Deus-criador não é histórica, senão que é fruto da reflexão teológica daqueles pensadores bíblicos e que se plasma especialmente nos primeiros capítulos do livro do Gênesis. A reflexão vai desde o Deus libertador que, de fato, tirou a nação da escravidão, para o Deus criador e senhor do Universo.
3.         O contato com os povos e culturas circundantes propiciou para a primitiva reflexão teológica israelita o material mítico criacional necessário para, após ter dado forma própria segundo sua própria fé em Deus, tecer os dois relatos da criação que se encontram nos capítulos 1 e 2 do livro do Gênesis.
4.         O primeiro relato no capítulo primeiro é mais cósmico e nos traz a criação “dos céus e da terra” e de tudo quanto neles existe, de maneira detalhada e em sete dias. No sexto dia são criados o homem e a mulher, no sentido de humanidade, “à imagem” do próprio Deus. No sétimo dia Deus descansa. A criação em sete dias significa a perfeição do Universo e da terra. O especial amor de Deus para a humanidade se manifesta em que seja sua própria “imagem e semelhança”. O mandamento mosaico do descanso sabático é justificado pela atitude do próprio Deus que assim faz. E no bojo desta explicação criativa de todas as coisas há presente um processo de demitificação: nem o sol, nem a lua, nem as potências cósmicas, nem bicho nenhum... são deus! É uma resposta ao politeísmo dos povos vizinhos. Só Deus é Deus e Senhor de todas as coisas. Tudo é de Deus e depende dele e da humanidade “à sua imagem”. Quando o autor sagrado nos diz que Deus viu que tudo era “bom” e, conclusivamente, “muito bom”, está nos falando da bondade e da santidade de todas as coisas e da humanidade.
5.         A criação está pronta! Porém, no capítulo segundo, começa tudo de novo! E o autor (ou compilador) do livro do Gênesis coloca outra “criação”, mais antropológica. Agora Deus cria um Paraíso e, no centro dele, modela um boneco de barro ao qual dá seu sopro-hálito (=”ruah”=espírito) de vida. De uma costela do homem (“ish”) modela a mulher (“isha”) que é, para o homem “osso dos meus ossos e carne da minha carne”, isto é, igual ao homem. E a partir daqui surgem os questionamentos sobre a realidade do ser humano.
a)         Porque existe o sofrimento e a morte? Resposta: há algo de errado na origem, que se chama pecado, desobediência, afastamento de Deus, que implica na perda do Paraíso. O Paraíso perdido é o estado natural do ser humano. Mas por causa do misterioso pecado, os seres humanos têm que “ganhar o pão com o suor”, parir entre dores e, no fim, morrer. O pecado é a causa da morte. A “árvore da ciência do bem e do mal” é a expressão mítica do mistério moderno da liberdade. No fim, poderíamos dizer: o que pode nos tornar semelhantes a Deus, o mistério da liberdade, pode também nos fazer fugir dele, quando tomamos consciência de que estamos ‘nus”.
b)         A partir deste pecado “original”, pelo qual entrou a morte, os autores bíblicos continuam com outros pecados conseqüentes constatáveis:
- Porque os homens se matam entre si? Resposta: quando Caim mata Abel, quando o irmão mata o irmão...
- Porque a humanidade, como um todo, se esqueceu de Deus? Então sobreveio o dilúvio do qual escapou Noé, como uma nova criatura...
- Porque existe a confusão, a divisão, a incompreensão entre os seres humanos? O mito de Babel da a resposta, etc.
B) Porque se coloca o criacionismo versus o evolucionismo?
A Igreja antiga definiu a criação “ex nihilo”, isto é, a partir do nada. Esta foi uma resposta à visão da filosofia grega da criação ou do ordenamento do caos, por meio da figura do demiurgo. Figura que a Igreja antiga rejeitou por causa da possibilidade de identificar o demiurgo grego com o Logos criador de São João. A divindade grega do demiurgo tem uma queda ontológica com relação a Deus. Não assim o Logos de Deus, encarnado em Jesus de Nazaré, que é “Deus de Deus e Luz da Luz”.
Assim pois, estamos perante um enfoque de compreensão filosófica grega com a compreensão da teologia cristã.
É evidente que estas questões não têm nada a ver com Darwin e com a teoria da evolução das espécies. Querer trazer aquelas respostas da igreja, para estes questionamentos atuais, como mínimo, é um anacronismo.
Hoje conhecemos a teoria da primeira explosão ou “big bang” que está na origem do Universo. A pergunta que surge é: está aqui o ato criacional de Deus? Temos a pergunta, mas temo que nunca teremos a resposta. O mistério permanece também a partir da linguajem e da experiência científica.
C)        Uma perspectiva moderna da questão, a partir do Pe. Teilard de Chardin
Sabemos que a Igreja anglicana rasgou as vestes quando Darwin apresentou sua Teoria da Evolução das Espécies. A Igreja católica ficou apenas observando, pois a questão não era dela, mas dos ingleses. De todos modos, a interpretação literal e histórica da Bíblia nestas alturas do século XIX e começos do XX estava com os dias contados. As novas ciências humanas tinham seu próprio método e começavam a ser integradas na compreensão da Bíblia pelo que se chamou a exegese moderna.
O Pe. Teilard de Chardin, francés, jesuíta e paleontólogo, na primeira metade do século XX “batizou” a teoria darwiniana, quando apresentou sua fantástica visão da evolução da vida dentro do cosmos em termos teológicos. Livros inesquecíveis como “Le milieu divin” (O meio divino) ou “La Messe sur le monde” (A Missa sobre o mundo), entre outros, dão conta da profunda espiritualidade do padre. Alguns de seus livros foram publicados a título póstumo, pois a Igreja os achou avançados demais para o momento.
Para este, na árvore da vida, há vários ramos que surgem desde o tronco principal em cujas raízes surge a vida que vai se desenvolvendo diferentemente em seus ramos, como diferentes espécies, num processo constante de evolução. Desde o tronco há um desenvolvimento na rama dos primatas, onde surge a consciência e, com ela, o homem. A consciência não é um dado pronto, senão que responde também a um processo de evolução, ou de conscientização ou de crescimento da própria consciência. Este processo evolutivo é chamado de “hominização” A linguajem para “batizar” este processo de evolução é tomada do livro do Apocalipse. Tudo evolui desde o Cristo-Alfa ou princípio de todas as coisas, para o Cristo-Omega ou plenitude de todas as coisas.
Assim, pois, desde o surgimento da vida microscópica até a plenitude da vida na consciência do ser humano, há um processo de crescimento de vida, no qual são integradas todas as espécies vivas. No centro delas se encontra a espécie humana em devir, desde o Logos ou Palavra de Deus por quem todas as coisas foram feitas, até encontrarem sua realização e plenitude no próprio Deus.
Nesta história do crescimento de consciência ou processo de hominização, num momento determinado da história, acontece um homem, Jesus de Nazaré, a plenitude do processo hominizador, acontece Deus. E em linguajar paulino, poderíamos dizer que o “universo inteiro geme com dores de parto até a manifestação do dia de Cristo Jesus”, isto é, até que a humanidade realize sua plenitude.
Concluindo:
Fica clara a artificialidade da questão do criacionismo versus evolucionismo. E diria mais, seguindo a carta de São Pedro, de que nós, cristãos, temos que saber “dar razão de nossa esperança”. E em nossos dias, saber dar razão ao mundo da ciência. É a partir da fé no Deus que acontece em Jesus de Nazaré, que a plenitude de sentido, tanto para o cosmos quanto para o ser humano, se torna acontecimento salvífico.
Os antigos escritores do livro do Gênesis souberam fazer isso. Qualquer linguajem é, sempre e por definição, simbólica. A linguajem teológica atual deve, que nem o Pe. Teilard de Chardin, procurar discernir a teologia presente na simbologia lingüística de hoje. Discernir nos “sinais dos tempos”, já dizia Jesus.
Parece-me que já se passaram os tempos em que a fé se tornava uma imposição. Hoje a fé se entende como proposta de sentido para a realidade que está aí. Sentido que apenas a consciência humana é capaz de captar e de dar. Sentido que o homem de fé encontra em Jesus de Nazaré como paradigma de humanidade. Ou não. Quando o absurdo se impõe perante a impotência da fé, então a realidade e o ser humano nela, não passam de uma “paixão inútil”. Já vimos isso.
Por outro lado, é uma desgraça relegar a responsabilidade histórica da fé a um fideísmo fundamentalista que não é mais do que a expressão de sua própria impotência. Mas, sobre isto podemos falar outro dia.

(artigo publicado em www.natalpress.com aos 07/02/2005)

LITURGIA DIÁRIA

“Glorificai o Senhor, Jerusalém!”.

Primeira Leitura: Dt 4,1.5-9
Sl 146
Evangelho: Mt 5,17-19




Rezai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós” (Santo Inácio de Loyola)

terça-feira, 29 de março de 2011

O CONTO DA VIDA


OS DOIS REMOS



Nas margens do rio, um velho canoeiro esperava pessoas para transportá-las para a outra margem. Era de poucas palavras, mas no seu rosto refletia algo da majestade das montanhas e da transparência do rio.


Certa vez chegou um jovem que andava perdido por aquele vale. Estava acostumado apenas ao asfalto e ao ruído da cidade. Pediu ao velho barqueiro para que o levasse à outra margem. Enquanto avançavam, o jovem, sempre curioso, deu-se conta de que num dos dois remos se podia ler a palavra “DEUS”. Não conseguia ler as outras letras, porque estavam quase apagadas. Incomodado com a palavra “DEUS”, que lhe parecia ultrapassada, começou a dizer:


- O ser humano, com sua razão, já descobriu os segredos do mundo e da vida. Não precisava de Deus. O ancião calou-se. Pegou no remo em que estava escrita a palavra “DEUS”, deitou-o na canoa e continuou a remar só com o outro, no qual estava escrita a palavra “EU”. A canoa começou a dar voltas sobre si mesmo, sem sair do pequeno círculo. O jovem ficou pensativo. O velho barqueiro falou:


- Sozinhos não vamos a lugar nenhum. Necessitamos de Deus para podermos avançar e ir mais além do que o nosso amor próprio e do nosso egoísmo. E, pegando novamente o remo “DEUS”, continuou a remar até chegar à outra margem, onde deixou o jovem.


Revista Fátima Missionária
QUEM ÉS TU; QUE O MUNDO TEM SAUDADE?

O Espírito Santo não abandona a sua Igreja: sempre envia homens para conduzir de maneira eficaz o leme de Pedro. Depois de tantos anos de uma tradição quase ininterrupta de termos á sua frete papas italianos, Deus escolhe um papa polonês; seria uma falha dos cardeais mudar uma tradição tão antiga que vinha permeando-a nos últimos anos? Certamente não! A simplicidade de um homem que quebrou todos os paradigmas da Igreja semeou a boa semente em muitos corações e foi capaz de aproximar os indiferentes pelo laço da caridade na verdade! Este homem escolheu para si o nome do discípulo amado, que sempre esteve ao lado do mestre e foi sensível a perceber os seus mais “íntimos desejos”(Jo 13,23s); também trouxe em sua nomenclatura o apóstolo anunciador da boa nova que ultrapassou as barreiras e empecilhos que se levantaram à sua frente tentando-o impedi-lo de anunciar o Mestre (At 16, 25s); talvez tal escolha  prefigurasse o que ele se tornaria para o mundo pós- moderno, ou simplesmente manifestasse aquilo que ele argumentou para esta escolha: homenagear os seus predecessores.
Através de sua pessoa o que estava distante se tornou próximo; o que era indiferente se tornou intimo; os que se odiavam conviveram fraternalmente; o que era guerra tornou-se paz! Não precisou falar eloqüentemente, pois suas atitudes simples manifestavam suas palavras no silêncio. Soube ser aquilo que a necessidade o exigira: foi entre os jovens o mais jovem, mas nunca se esqueceu de seus “cabelos brancos” quando precisou usá-los para aconselhar, anunciar e denunciar; foi entre os sadios o mais sadio para demonstrá-los o poder transformador que tem uma prática saudável da robustidão, mas soube ser entre os enfermos o mais enfermo para mostrá-los o poder santificador e redentor do sofrimento. Enfim fez-se tudo para todos a fim de ganhar cada um (1Cor 9, 22). O século XX e o inicio do terceiro milênio ficou marcado por TI ó homem prudente, SERVO DOS SERVOS DE DEUS!

AUTOR: SEMINARISTA JÚNIOR

LITURGIA DIÁRIA

“Recordai, Senhor, a vossa compaixão”.

Primeira Leitura: Dn 3,25.34-43
Sl 24
Evangelho: Mt 18,21-35



“A adulação é dinheiro falso que, por vaidade, não pode circular” (François de La Rochefoucauld)

segunda-feira, 28 de março de 2011

GRUPO DE VIDA JOÃO PAULO II PARABENIZA SEU DIRETOR ESPIRITUAL O Pe. AGOSTINHO



PE. AGOSTINHO...

...Hoje quero rogar a Nossa Senhora da Esperança para que continue protegendo o senhor na sua missão como servo de Deus; para mim todas as vezes que olho no seu rosto vejo a figura daquele que está para servir, pois “Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo”, obrigado pelo bem que tem feito não somente a mim, mais a toda Igreja particular de Natal especialmente o Seminário de São Pedro. Parabéns!!! Hipolito.


...Rogo a Cristo Bom Pastor para que o senhor seja cada vez mais configurado a Ele. E continue sendo esse sacerdote zeloso e compassivo. Parabéns e que Deus o abençoe hoje e sempre. Cláudio Dantas.


...Um dia fomos chamados para respirarmos, este respiro é o chamado à vida, primeiro chamado que Deus nos faz.
A partir deste chamado, reconhecemos a cada ano que Deus nos dá oportunidades para bem vivê-lo, isso de diversas formas.
Cada um tem o seu jeito de agradecer a Deus pelo dom da vida. O senhor agradece no serviço aos irmãos, na palavra amiga e num gesto sincero. Que Deus sempre o conserve assim, um homem que nos leva a Deus. Luiz Carlos
Parabéns pelo dom da vida...


...Vossa pessoa é sem dúvida uma figura que se aproxima do outro. Como são ricos os momentos na vossa presença, pois já sentimos uma brevidade do Kairós tempo de Deus em nós. Continue sendo essa pessoa que o senhor é. Parabéns. Manoel Alaíde.


Feliz Aniversário, Deus o Abençoe!!!!

MEMBRO DO GRUPO DE VIDA JOÃO PAULO II RECEBE O MINISTÉRIO DE ACÓLITO

“VEM E SEGUE-ME”

Hoje, nesta Segunda Feira o Grupo de Vida João Paulo II celebra com o seminarista Manoel Alaíde e seus familiares a recepção do seu acolitato conferido por sua Exª Revma Dom Matias Patrício de Macedo, o mesmo partilha conosco um pouco da sua caminhada, relatando seu chamado e as motivações que o fizeram ingressar nesta caminhada rumo ao sacerdócio. Manoel Alaíde nos disse que começou a participar da ação pastoral da Igreja por ocasião da preparação para a Crisma. Tendo concluído o período de preparação chegou o “grande dia” a cerimônia da Crisma, momento singular na minha vida. Em seguida senti-me no dever de por em prática tudo aquilo que tínhamos refletido nas reuniões. Uma frase estava sempre a ressoar em meus ouvidos: “Vem e segue-me”. Ainda com vigor de pós-crismados surgiu a ideia de formarmos um grupo de jovens, o JUPES: Jovens Unidos pela Esperança. Eis o nosso lema: Os jovens de São Mateus trabalham para crescer na fé. Fui membro do CPP, Conselho Pastoral Paroquial, fiz parte da equipe de liturgia da comunidade, catequista de Primeira Comunhão e Crisma, animador de comunidades e ministro extraordinário da Sagrada Comunhão a convite do Padre Aerton Sales da Cunha. Depois assumi a coordenação de dois setores das SMP, Santas Missões Populares que compreendia nove comunidades da Paróquia.
Senti-me atraído para participar dos encontros vocacionais. Passei três anos fazendo tal experiência. No dia 20 de fevereiro de 2005 ingressei no Seminário de São Pedro em Emaus para o ano Propedêutico. Em 2006 dar-se início uma nova etapa, os cursos de Filosofia e Teologia no mesmo Seminário maior em Natal; e já estou cursando o 4º ano de Teologia.
No que diz respeito ao âmbito pastoral, de 2007-2008 fui enviado para a Paróquia de São João Batista em Arês e Senador Georgino Avelino. Em 2009 fiz o trabalho pastoral na Paróquia de Nossa Senhora Das Dores em Brejinho e Passagem. Já em 2010 fui transferido para a Paróquia da Imaculada Conceição em Nova Cruz. E para 2011 fui convidado para fazer os trabalhos pastorais na Paróquia de São Francisco de Assis em Lagoa de Pedras e Serrinha.
No dia 14 de novembro de 2010 recebi o ministério de Leitor, conferido pelo Senhor Arcebispo da Arquidiocese de Natal Dom Matias Patrício de Macedo, onde o mesmo confere o ministério de Acólito. Receber os ministérios significa dar passos na caminhada vocacional rumo ao Sacerdócio.

Que Deus me ajude!
Manoel Alaíde da Silva
A DIREÇÃO ESPIRITUAL NO SEMINÁRIO

Pe. Jailton Soares

A antropologia sobrenatural cristã evidencia que o cristão não pode ser compreendido nem ajudado apenas por meio das ciências humanas (psicologia, pedagogia, sociologia, etc.), uma vez que é, ontologicamente (não só moralmente), uma criatura nova (2 Cor 5,17), um homem novo (Ef 4,24), em quem foi restaurada, pelo batismo, a semelhança  com Deus (Catecismo da Igreja Católica, n. 734, 1701), pois foi feito, pela graça do Espírito Santo, participante da natureza divina (2 Ped 1,4;  Catecismo da Igreja Católica, n. 460). Por isso é larga a importância que o Magistério Eclesiástico tem dado ao tema da dimensão espiritual da formação sacerdotal e, especialmente ao acompanhamento espiritual pessoal. Ao longo de vários decênios, como sabemos, esta tem sido uma prática um tanto descuidada: não raramente, em algumas realidades formativas, a direção espiritual tem-se limitado quase que exclusivamente à orientação coletiva, por meio de palestras, meditações e retiros, etc., coisa importante, mas insuficiente.  Vê-se claramente que está havendo agora um desejo de que seja resgatada a prática da direção espiritual no sentido clássico de orientação individual, pessoal. A Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis (25/3/1992), ao tratar da pastoral vocacional, enuncia um programa que é válido para todos: “É preciso redescobrir a grande tradição do acompanhamento espiritual pessoal, que sempre deu tantos e tão preciosos frutos na vida da Igreja” (n. 40).
Considerando o acima posto, é mister vislumbrar a figura dos diretores espirituais que devem preocupar-se de tudo o que se refere à formação espiritual de quem quer ser sacerdote. Os cânones 245 e 246 falam especificamente da formação espiritual que deve prestar um seminário: e essa é uma função específica de diretor espiritual. Também deverá encarregar-se da pregação no seminário; muitas vezes se realizará por meio de outros, mas será função dos diretores espirituais assegurar a pregação periódica, quiçá estabelecendo um plano de práticas ou reflexões que garantam uma pregação organicamente estruturada. Estes são dois exemplos das funções de direção espiritual comuns a todo o seminário.
E tampouco aí acabam as funções dos diretores espirituais. Os diretores espirituais deverão seguir o andamento de cada aluno, não só oferecendo-se a falar com cada um, senão preocupando-se do acompanhamento e direção espiritual de cada um. Enfim, o seu papel deve consistir, principalmente, em orientar e ajudar o dirigido a alimentar e aumentar a vida da graça, a cultivar as virtudes (teologais e morais ou humanas), e a buscar uma purificação e união com Deus cada vez maiores, de modo a se tornar capaz de secundar com delicadeza as moções do Espírito Santo, que não cessa de impelir para uma vida santa por meio dos seus dons.



VOCAÇÃO E MISSÃO

Nestes dias, em nosso Grupo de Vida João Paulo II aparecem artigos de seminaristas, bem interessantes e proveitosos que nos trazem a todos sua experiência vocacional e missionária. Como orientador espiritual, por vocês nomeado, também eu quero dar meu humilde palpite ao respeito. Porque o chamado do Senhor é sempre para a missão.
1º Todos nós participamos do mesmo chamado (vocação) do Senhor. Nenhum de nós foi chamado para ser uma espécie de “funcionário eclesiástico”, senão para ser seu seguidor e discípulo. Vejamos algumas vocações:
a)      Os primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João, pescadores da Galileia, ouviram a palavra mágica de Jesus: “segui-me” e, todos deixaram as barcas, as redes e os dois últimos até o próprio pai, Zebedeu. O resto de suas vidas será um seguimento de Jesus, onde encontrarão seu sentido na vida e na morte.
b)      Também Levi-Mateus, o publicano (e, por definição, pecador público) seguiu Jesus do mesmo modo e ninguém se incomodou demais pelas críticas que apareceram, pelo fato de Jesus ser seguido por publicanos e pecadores.
c)      Ao jovem rico o Senhor disse: “Se queres ser perfeito vai, vende os teus bens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”. Aqui aparece a condição primeira da obrigação para com os pobres (que é fundamental no Reino anunciado e trazido por Jesus), para que o seguimento de Jesus seja verdadeiro. Mas, o jovem rico optou por sua riqueza e foi-se embora muito triste porque tinha muitos bens. No fim, aquele jovem rico optou pela tristeza.
d)      A outros, desconhecidos, Jesus convidou-os com toda radicalidade, por exemplo: “deixa que os mortos enterrem seus mortos. Tu, vem e segue-me”. Até esse ato piedoso e obrigatório de enterrar o pai, é secundário perante a urgência do seguimento de Jesus.
e)      Não menos radicais e comprometederas aparecem as palavras do Senhor: “quem quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome sua cruz todos os dias e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la e quem perder sua vida por causa de mim, vai salvá-la”. É o paradoxo do sentido da vida que se encontra no seguimento do Senhor. Ou não se encontra.
f)       O seguimento do Senhor se coloca até por cima de pai, mãe, irmãos, esposa, filhos, casas, campos, das que terão o cento por um aqueles que deixaram tudo para segui-lo e depois, a vida eterna.
Assim, pois vocação é seguir o Senhor, andar, caminhar, crescer, acreditar, amar, fazer acontecer na vida na dês-instalação ... como os discípulos ou apóstolos fizeram. Quando a gente lê com atenção os Evangelhos, a gente descobre as fraquezas, a fragilidade daqueles homens que o seguiram. Mas nenhuma destas limitações impediu  seu seguimento com todas as conseqüências.
2º Jesus preparou seus discípulos para a missão, pois Ele mesmo enviou, primeiro os doze e depois outros setenta e dois, para anunciar a chegada do Reinado de Deus. Isto é, àqueles que Ele escolheu (“vocacionou”), Ele mesmo os enviou para partilharem de sua própria missão. E é muito interessante a grande exclamação de alegria de Jesus, quando os discípulos voltam e lhe contam que tinham cumprido a missão que lhes encomendara. Jesus exulta dizendo: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes e as revelaste aos pequeninos...”
3º: A conclusão dos quatro evangelistas, para aqueles que lêem, acreditam e se comprometem com o Evangelho de Jesus é que são, fundamentalmente, missionários. Vejamos as últimas palavras colocadas em lábios de Jesus ressuscitado pelos quatro evangelistas:
a)      Em Marcos : “Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criação. Quem crer e for batizado se salvará; quem não crer, se condenará. Estes são os sinais que acompanharão àqueles que creram: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão serpentes em suas mãos e embora bebam algum veneno, não lhes fará mal algum, imporão as mãos sobre os enfermos e serão sarados” (Mc 16, 15-18).
b)      E em Mateus: “Foi-me dado todo poder no céu e na terra. Ide, pois, e fazei discípulos a todas as gentes, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a guardar tudo aquilo que vos mandei. E sabei que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28, 18-20)
c)      Em João, na primeira aparição do Ressuscitado escutamos: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (Jo 20, 21).
d)      E Lucas: “Assim esta escrito: que o Cristo devia padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia, e se pregasse em seu nome a conversão para o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. Vós sois testemunhas de tudo isto” (Lc 24, 45-48); Lucas continua seu Evangelho no livro dos Atos dos Apóstolos onde nos conta o nascimento da Igreja como missão, com Pedro, Paulo, Felipe e etc. O inicial “segue-me” com que Jesus chamou àqueles homens, no fim do processo de convivência com o Senhor, tornou-os a todos, sem exceção, missionários.
A missão, que começara em Jerusalém, não demorou em se espalhar pelo mundo conhecido no momento, isto é, pela bacia do Mediterrâneo; desde o império persa no oriente até o ponto mais ocidental do império romano pelo ocidente. Ao longo dos séculos se expandirá pela Europa, pelas Américas e menos pela Ásia. Missionários e testemunhas exemplares não faltam na história da Igreja e do mundo.
Como diria Paulo VI na Evangelii Nuntiandi: A Igreja existe para evangelizar. João Paulo II tornou seu pontificado uma missão “ad gentes”. E não esqueçamos o documento de Aparecida com Bento XVI. E nesta saga, com toda humildade, podemos dizer: A Igreja é missão. Ou não é.

LITURGIA DIÁRIA

“Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba!”.


Primeira Leitura: 2Rs 5,1-15
Sl 41
Evangelho: Lc 4,24-30


“Quando mestre e alunos se encontram na igreja para rezar, sua mentes terão presente o que foi declarado na escola, pois logicamente primeiro estudam, depois rezam, rezam conforme o que estudaram, rezam como estudaram” (Cesare Giraudo)

domingo, 27 de março de 2011

MEDITANDO COM A PALAVRA DE DEUS!

3º DOMINGO DA QUARESMA: Jesus, fonte de água viva.
Textos: Ex 17, 3-7; Sl 94; Rm 5,1-2.5-8; Jo 4,5-42

O povo de Deus continua a sua caminhada pelo deserto, mas aos poucos o povo começa a desanimar e a reclamar da situação de miséria em que se encontravam; assolados pela fome e pela sede, puseram a murmurar contra Moisés e este intercede pelo povo. Apesar das queixas e dúvida da presença de Deus, Ele não condena nem abandona o seu povo, mas providencia o alimento necessário para a caminhada rumo à terra prometida. (Ex 17,3-7). Deus caminha com seu povo.
Nesta perspectiva, a quaresma é um tempo privilegiado que a Igreja nos oferece para a nossa reflexão e nos leva a fazer a experiência com o Deus libertador e providente. Entretanto, é preciso caminhar com perseverança, confiando na presença de Deus. Pois, a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Rm 5,5).
No evangelho desse Domingo é o próprio Jesus que toma a iniciativa de ir ao encontro dos samaritanos, que eram inimigos dos judeus. Jesus pede água e estabelece um diálogo com a samaritana, é através do diálogo que se derrubam as barreiras históricas entre os povos e abre-se o caminho para a paz. Somente a paz que vem de Deus é capaz de construir a civilização do amor.
Neste encontro entre povos tão diferentes, Jesus se revela: Ele é a fonte de água viva e quem dela beber nunca mais terá sede (Jo 4, 13-14). Assim, como a samaritana somos convidados a saciarmos a nossa sede bebendo de sua palavra e nos alimentando de seu corpo e sangue na eucaristia.  
A grande novidade desse encontro é que Jesus chama a Deus de Pai. E sendo Pai de todos os povos não necessita de um lugar determinado para ser adorado. Assim, todas as nações são convidadas a adorá-lo em espírito e em verdade (Jo 4, 23-24). Do coração de todos aqueles que realmente amam e seguem Jesus brotam rios de água viva, pois testemunham com a vida o amor de Cristo e, uma vez reconciliados com ele é impossível não irradiar esse amor.


Por: Cláudio Dantas de Oliveira

LITURGIA DIÁRIA

"Uma Fonte de água que jorra para a vida eterna"


Primeira Leitura: Ex 17,3-7
Sl: 94
Segunda Leitura: Rm 5,1-2.5-8
Evangelho: Jo 4,5-42

"O amor foi derramado em nós pelo Espírito que nos foi dado"

sábado, 26 de março de 2011

PALAVRA DO COORDENADOR



RECONHECER É AGRADECER

Na vivência desta segunda semana da Quaresma, foram muitas as oportunidades de reflexão e meditação que nos ajudaram a preparar-nos para grande festa da Igreja: a Páscoa. Nesta semana as propostas que o Grupo de Vida João Paulo II apresentou pelo blog foram várias. Por exemplo, o quadro Experiência que Anima a Vocação! Do nosso irmão Seminarista Francisco Lima (Diocese de Santarém – Pará) que em seu depoimento nos diz: “respondi a esse apelo, porque antes de ser Padre, desejo primeiramente sentir a manifestação do amor de Deus em mim que se dá por meio do contato com o povo de Deus, pela escuta atenta da Palavra e pela Oração”. Testemunho para nós de um verdadeiro discípulo missionário de Cristo, proposta que a Igreja faz a cada um de nós filhos de Deus.

Outro ponto foi O Conto da Vida! São histórias que servem para todas as idades. Aqui encontrará belas e preciosas lições de Sabedoria. A Liturgia Diária! Todos os dias em contato com a Palavra de Deus que nos anima e ilumina nossa caminhada. Vocação: saber ouvir e escolher a melhor parte! Depoimento vocacional do Seminarista Antônio Roberto; vida totalmente disponível para seguir Jesus. Frutos da Unidade! São reflexão feitas pelos membros do Grupo de Vida João Paulo II nos encontros semanais.

Em nível formativo temos artigos produzidos pelos Seminaristas que nos ajudam a compreender o sentido da missão dentro de uma Igreja cheia de carismas. Destacamos o artigo do Seminarista Francisco de Assis sobre o Celibato e do nosso Diretor Espiritual Pe. Agostinho sobre Anunciação do Senhor. Como também, abrindo espaço à participação dos leigos que contribuem de forma significativa e responsável o anúncio do Reino de Deus em suas comunidades no quadro: Leigos: Povo Messiânico, Novo Israel. Tudo isto e muito mais será apresentado neste novo blog.

Por fim, agradeço a todos que contribuíram esta semana enviando seus textos, e aos que visitaram nosso blog, ajudando-nos a propagar a Boa Nova. Assim, desejamos a todos um Santo e abençoado final de semana na certeza de que vocês irão continue acessando e fazendo parte desta família sendo nosso seguidor.

Paz em Cristo!
Sem. Luiz Carlos Alves da Silva – Coordenador

LITURGIA DIÁRIA


“O Senhor é indulgente e favorável”.

Primeira leitura: Mq 7,14-15.18-20
Sl 120
Evangelho: Lc 15,1-3.11-32

“Depois de ter-se esforçado para conseguir o que quer, conceda-se o tempo para desfrutá-lo” (S. Brown)

sexta-feira, 25 de março de 2011

LEIGOS: POVO MESSIÂNICO, NOVO ISRAEL. “Semente Fecundíssima de Unidade, de Esperança e de Salvação” (LG II,9)

“Tu me seduziste SENHOR, e eu me deixei seduzir!” (Jeremias 20,7)

Por Flávio Pontes Lopes
Estudante de Direito
Membro da RCC, Pregador
Pedro Velho/RN, 23/03/2011

Desde criança, Deus já me atraiu para perto de Si. Minha mãe, católica graças a Deus, me levava à missa, aos terços do mês mariano. Participava do catecismo com entusiasmo, até hoje lembro bem da minha primeira eucaristia, primeira confissão, momentos inesquecíveis de minha vida, mesmo sendo uma criança, sem entender bem o que era aquilo, sentia meu coração arder... Com certeza era o Espírito Santo de Deus e nisso Deus já estava me seduzindo.
Na minha adolescência tive uma grande experiência com Deus através de um Seminário de Vida no Espírito Santo e comecei ai a participar da Renovação Carismática Católica, daí entrei para o Grupo de Oração e comecei a participar do ministério do Acolhimento, passei cinco anos neste ministério, onde recepcionava, junto com os outros membros do Ministério, as pessoas que iam para a Missa, para o Louvor e para nossos eventos. Nós também éramos responsáveis pela limpeza da Igreja, todo o domingo tinha a escala de quem ia lavar a Igreja. Foi um tempo muito bom na minha vida, onde aprendi a exercer a humildade, o amor, a partilha; aprendi o que era ser igreja, o que era ser de Deus; aprendi a contribuir com a Igreja em tudo que eu podia, com meu tempo, minha dedicação, meus esforços. Não é que Deus precise de mim, nem de ninguém, mas Ele quer precisar, Ele quer nos usar para realizar sua obra de evangelização, por isso Ele conta com todos nós...
Atualmente estou no ministério de pregação, onde junto com mais três irmãs, levo a Palavra de Deus para o Grupo de Oração. E é uma honra poder contribuir com a missão evangelizadora da Igreja, levando o Evangelho de Jesus aos confins da terra e vejo que essa contribuição é uma reciprocidade, pois ao mesmo tempo em que eu contribuo com a Igreja em sua Missão, seja em qualquer ministério, grupo, pastoral ou movimento, a Igreja também contribui comigo, na minha formação pessoal e espiritual. Eu mesmo vejo isso concretamente em minha vida, pois sempre fui uma pessoa muito tímida, introvertida, carente de amigos inclusive, e com meus trabalhos na Igreja esse quadro foi mudando, hoje sou menos tímido, na Igreja encontrei pessoas que se tornaram super especiais em minha vida, verdadeiros amigos e irmãos. Essa foi a Grande contribuição da Igreja em minha vida, além de me trazer todos os dias Jesus na Santa Eucaristia.
Quero aproveitar a oportunidade para convidar você a conhecer mais a esta Igreja, fundada por Jesus Cristo e que subsiste há quase dois mil anos. Igreja esta que é nossa Mãe, que nos traz o Senhor e que conta com você para levar o Evangelho até os confins da terra, como mandou o próprio Jesus.

O ANJO DO SENHOR ANUNCIOU A MARIA E ELA CONCEBEU DO ESPÍRITO SANTO (Lc 1, 26-38)


Celebramos nestes dias, que são de Quaresma, a Anunciação do anjo Gabriel a Maria. Assim, pois, os dias de conversão se tornam tempos de compromisso com Deus e de esperança da salvação.
Os dois primeiros capítulos do Evangelho segundo Lucas, nos trazem toda a alegria da salvação realizada por Deus na pessoa de Jesus de Nazaré. É dentro dessa tônica geral que se compreende o anúncio do anjo à mocinha de Nazaré, cujo nome era Maria. Estamos perante um relato de conteúdo altamente teológico. Vejamos os atores deste trecho:
1º: O anjo Gabriel:
É assim chamado nos lugares em que seu nome aparece na Bíblia, embora seja chamado de arcanjo nos livro de Enoque. No livro de Daniel, é um anjo que interpreta visões e explica o sentido dos setenta anos de cativeiro. No evangelho de Lucas anuncia primeiro o nascimento do precursor, João o Batista e, em seguida, a Maria o nascimento de Jesus; Provavelmente Lucas escolhe o anjo Gabriel como porta-voz de Deus por ser o único anjo ligado à promessa messiânica.
2º: Maria:
a) É a mocinha de Nazaré, e ao redor dela se desenvolvem os dois primeiros capítulos do evangelho lucano. Prometida em casamento a José, o marceneiro, da linhagem do rei Davi. Fará parte do Evangelho como a mãe de Jesus ou a mãe do Senhor.
b) A ela é dirigida a Palavra de Deus, por meio de Gabriel, seu mensageiro. Maria é convidada à alegria, pois ela é a “cheia da graça” ou a “agraciada” de Deus e o Senhor Deus está com ela. Em seguida vem o anúncio cristológico, Ela vai ter um Filho a quem dará o nome de Jesus (= Yahvé é salvação); será chamado Filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Daí, seu pai e reinará na casa de Jacó pelos séculos e seu reino não terá fim. O Espírito Santo vem sobre Maria e o poder do Altíssimo a cobre com sua sombra, pois quem vai nascer dela será Santo e será chamado Filho de Deus.
c) Este anúncio é situado em relação ao anúncio anterior de Gabriel a Zacarias (João Batista e Jesus estão unidos intimamente em missão e, em Lucas também, em parentesco)
d) A cristologia assume Maria como a Serva do Senhor (Jesus é o Servo de Yahvé) em quem se cumpre a Palavra anunciada pelo anjo.
3º: Jesus:
Nestes dois primeiros capítulos de Lucas e, especialmente, nestes versículos se resume a fé em Jesus como Rei davídico (Messias, Cristo) e Filho do Altíssimo, isto é, segundo a promessa e as esperanças messiânicas israelitas; como Filho de Deus e como Salvador, provavelmente segundo a nomenclatura divinizante greco-romana. A cristologia implícita ao longo do desenvolver do evangelho na vida adulta de Jesus, se torna explicita. No anúncio do anjo Gabriel a Maria estamos perante uma fantástica projeção teológica pós-pascal do acontecimento salvífico de Deus, operado por meio de Jesus, o carpinteiro de Nazaré, que em Lucas se anuncia ao mundo.
4º: O Espírito Santo se torna o centro da ação. Assim como Jesus é movido constantemente pelo Espírito, também a sombra do Espírito de Deus está sobre Maria, como pairou sobre a inteira criação de Deus. Estamos, pois teologicamente, perante uma nova criação, na que Jesus se anuncia como o homem novo.
Nestes dias de quaresma, que são de oração que re-situa nossas vidas perante o amor radical de Deus, manifestado na cruz de Cristo, a meditação sobre o anúncio do anjo a Maria nos coloca perante a grandeza da esperança messiânica ou cristológica na que nos situa nossa fé vivida no seguimento de Jesus.