sexta-feira, 25 de março de 2011

O ANJO DO SENHOR ANUNCIOU A MARIA E ELA CONCEBEU DO ESPÍRITO SANTO (Lc 1, 26-38)


Celebramos nestes dias, que são de Quaresma, a Anunciação do anjo Gabriel a Maria. Assim, pois, os dias de conversão se tornam tempos de compromisso com Deus e de esperança da salvação.
Os dois primeiros capítulos do Evangelho segundo Lucas, nos trazem toda a alegria da salvação realizada por Deus na pessoa de Jesus de Nazaré. É dentro dessa tônica geral que se compreende o anúncio do anjo à mocinha de Nazaré, cujo nome era Maria. Estamos perante um relato de conteúdo altamente teológico. Vejamos os atores deste trecho:
1º: O anjo Gabriel:
É assim chamado nos lugares em que seu nome aparece na Bíblia, embora seja chamado de arcanjo nos livro de Enoque. No livro de Daniel, é um anjo que interpreta visões e explica o sentido dos setenta anos de cativeiro. No evangelho de Lucas anuncia primeiro o nascimento do precursor, João o Batista e, em seguida, a Maria o nascimento de Jesus; Provavelmente Lucas escolhe o anjo Gabriel como porta-voz de Deus por ser o único anjo ligado à promessa messiânica.
2º: Maria:
a) É a mocinha de Nazaré, e ao redor dela se desenvolvem os dois primeiros capítulos do evangelho lucano. Prometida em casamento a José, o marceneiro, da linhagem do rei Davi. Fará parte do Evangelho como a mãe de Jesus ou a mãe do Senhor.
b) A ela é dirigida a Palavra de Deus, por meio de Gabriel, seu mensageiro. Maria é convidada à alegria, pois ela é a “cheia da graça” ou a “agraciada” de Deus e o Senhor Deus está com ela. Em seguida vem o anúncio cristológico, Ela vai ter um Filho a quem dará o nome de Jesus (= Yahvé é salvação); será chamado Filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Daí, seu pai e reinará na casa de Jacó pelos séculos e seu reino não terá fim. O Espírito Santo vem sobre Maria e o poder do Altíssimo a cobre com sua sombra, pois quem vai nascer dela será Santo e será chamado Filho de Deus.
c) Este anúncio é situado em relação ao anúncio anterior de Gabriel a Zacarias (João Batista e Jesus estão unidos intimamente em missão e, em Lucas também, em parentesco)
d) A cristologia assume Maria como a Serva do Senhor (Jesus é o Servo de Yahvé) em quem se cumpre a Palavra anunciada pelo anjo.
3º: Jesus:
Nestes dois primeiros capítulos de Lucas e, especialmente, nestes versículos se resume a fé em Jesus como Rei davídico (Messias, Cristo) e Filho do Altíssimo, isto é, segundo a promessa e as esperanças messiânicas israelitas; como Filho de Deus e como Salvador, provavelmente segundo a nomenclatura divinizante greco-romana. A cristologia implícita ao longo do desenvolver do evangelho na vida adulta de Jesus, se torna explicita. No anúncio do anjo Gabriel a Maria estamos perante uma fantástica projeção teológica pós-pascal do acontecimento salvífico de Deus, operado por meio de Jesus, o carpinteiro de Nazaré, que em Lucas se anuncia ao mundo.
4º: O Espírito Santo se torna o centro da ação. Assim como Jesus é movido constantemente pelo Espírito, também a sombra do Espírito de Deus está sobre Maria, como pairou sobre a inteira criação de Deus. Estamos, pois teologicamente, perante uma nova criação, na que Jesus se anuncia como o homem novo.
Nestes dias de quaresma, que são de oração que re-situa nossas vidas perante o amor radical de Deus, manifestado na cruz de Cristo, a meditação sobre o anúncio do anjo a Maria nos coloca perante a grandeza da esperança messiânica ou cristológica na que nos situa nossa fé vivida no seguimento de Jesus.

CONVITE

INSTITUIÇÃO DE ACÓLITOS
        

        Na próxima segunda-feira dia 28/03/11 às 18h na capela do Seminário de São Pedro, serão instituídos acólitos os seminaristas do 4º ano de Teologia vinculados a esta Arquidiocese, bem como os seminaristas estagiários e os irmãos Filhos de Sant´Ana que já concluíram a teologia. Na ocasião, sua Exª Revma Dom Matias Patrício de Macedo, presidirá a Concelebração Eucarística na qual instituirá os mesmos. Unânimes rendem graças a Deus por todo bem a eles concedidos.

LITURGIA DIÁRIA

ANUNCIAÇÃO DO SENHOR (Cor br. –of. da Solenidade )

“Eis que venho fazer com prazer, a vossa vontade, Senhor!”.

Primeira Leitura: Is 7,10-14;8,10
Sl 39
Segunda Leitura: Hb 10,4-10
Evangelho: Lc 1,26-38

“O coração de Maria, no momento da encarnação do Verbo, se tornou como que o centro do mundo” (Frei Battistini)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Vocação: saber ouvir e escolher a melhor parte

A vocação tem uma amiga íntima chamada perseverança...

Por Antônio Roberto,
Seminarista I Teologia,
para o blog do Grupo de Vida João Paulo II –

Falar da vocação: para cumprir esta tarefa, se faz necessário um grande flash-back da vida, e com isso vem à memória tantos fatos, tantos detalhes, tantas pessoas e momentos que fizeram parte de todo esse caminho percorrido até aqui... Mas vocação é essencialmente isso: pensar e repensar um chamado que antes, num contexto de vida totalmente diferente do atual, jamais pensaria existir.
E o despertar de minha vocação aconteceu mais ou menos assim. Costumo datar como o “divisor de águas” as festas de fim de ano de 2005 para 2006. Até então eu, um jovem com 21 anos de idade, não pensava jamais em abraçar a vida sacerdotal e suas implicações. Na época eu até estava namorando e estava muito bem no relacionamento. Estudava e dava aulas de inglês, nos fins de semana praticava minhas atividades pastorais leigas na paróquia, era inclusive líder de comunidade, estava inserido na liturgia e na Pascom, coordenava o grupo paroquial de coroinhas, enfim, tudo isso fazia sem sequer me tocar que este era exatamente o terreno que o Senhor havia preparado para poder lançar a semente...
Para o discernimento vocacional acontecer, é muito importante o apoio do padre, ele que conhece porque já trilhou esse mesmo caminho. Apoio este que eu não posso negar que tive – aliás, ele (Padre Murilo) foi a primeira pessoa nesse mundo a me interpelar se eu não desejaria ser padre. Foi ele que me indicou participar dos encontros vocacionais paroquiais e do seminário, no ano de 2006-2007, e me enviou ao mesmo seminário em 2008, meu ano de ingresso no Propedêutico.
Outro fator que me fez ouvir nitidamente aquele convite maior foi perceber a realidade da minha paróquia e de tantas outras: um povo sedento de Deus, mas caminhando como ovelhas sem pastor, necessitado e carente da presença amiga de um líder religioso... Observando isso, meu coração ardia literalmente: estar no meio do povo como aquele que serve, este se tornou meu grande desejo. Logo em seguida, eu (já pensando melhor no que Deus queria me dar como missão nesta vida) comecei a realizar encontros, fazer visitas e assim fui chamado a ser celebrante da Palavra nas comunidades da minha paróquia (Parnamirim - RN). Era o que faltava para confirmar o chamado divino: nada mais neste mundo me dava – e ainda dá – tanta alegria, quanto estar a serviço da Igreja.
Hoje em dia, a caminhada continua. Foi dado o primeiro passo: entrar no seminário e receber a devida formação. Mas a realidade é que vocação se vive diariamente. E mais: para aquele que foi chamado a ser ministro de Deus, a vocação tem uma amiga íntima chamada perseverança contra um batalhão de inimigos: apego, comodismo, busca por poder e status, egoísmo, egocentrismo, mente fechada, mau uso da liberdade, confundir vocação com profissão etc. Como o ouro provado no fogo, vai realmente responder à vocação aquele que perseverar até o fim... E o fim da vocação é prestar contas com Deus se você foi ou não um servo bom e fiel.
Portanto eu afirmo: viver intensamente aquelas festas natalinas do ano de 2005 significou em minha vida “abrir os ouvidos” para escutar a voz de Alguém que me chamava para voar mais alto, a sair em busca de algo bem maior e também muito gratificante. Por quê? “Porque é a melhor parte escolhida, a qual não será jamais tirada”.

FRUTOS DA UNIDADE!

VIII Pé e Fé na caminhada

Reflexão feita pelo Seminarista Cláudio,
IV Teologia e apresentado no encontro Semanal
 do Grupo de Vida João Paulo II, no dia 23/03/2011.

O VIII Pé e Fé na caminhada, realizado no período de 24 à 26 de janeiro em Petrolina-PE, foi um momento forte de troca de experiência e de entrosamento entre os seminaristas do Regional NE II que buscam viver a palavra de Deus, encarnada na história e na vida de nosso povo. Enfim, um espaço de estudo, oração e partilha de vida; um pequeno tempo de convivência entre irmãos que compartilham as mesmas alegrias e esperanças, tristezas e angústias e, acima de tudo, os mesmos ideais.
O Encontro teve como tema geral: O perfil do presbítero diocesano na atual conjuntura sócio-cultural e foi desenvolvido pelo Pe. Izidorio (Salgueiro) destacando três aspectos: 1) Que sociedade? 2) Que modelo de Igreja? 3) Que presbítero? Tendo como diferencial o presbítero brasileiro.
Quanto o contexto cultural onde o presbítero exerce o seu ministério: o doc. Aparecida fala de uma mudança de época- crise de referenciais (pessoas, instituições, Igrejas); questionamentos dos fundamentos da sociedade, inclusive da Igreja. Entretanto, essa mudança de época não é totalmente negativa, pois nos leva a buscar respostas para esses questionamentos.
Quanto à Igreja em uma mudança de época, com a chegada da Modernidade temos momentos fortes de transformações que exigem novas posturas, tomadas de consciência e novas respostas para a sociedade e para o homem moderno.
Quanto à missão e identidade do presbítero, o doc. Aparecida n. 367 e o Diretório para a formação dos presbíteros na igreja do Brasil falam dessa mudança de época (n. 14-33). E o doc. 85 da CNBB afirmam que essa mudança de época afeta diretamente os jovens e conseqüentemente as casas de formação.
Também existem três gerações de presbíteros: A geração do Pré-Concílio Vat. II e conciliar; depois a do Pós-Vaticano II e a terceira que é a da crise da Modernidade ou da mudança de época. Essas três gerações muitas vezes convivem em constantes conflitos. Nesta perspectiva os documentos conciliares LG e GS se complementam e ajudam a traçar o perfil do presbítero.
Neste contexto os desafios atuais para o ministério presbiteral são: A fragmentação do modelo de família (casais gays); a crise da espiritualidade do padre diocesano, que assume a espiritualidade dos movimentos; as transformações bruscas da sociedade (mudança de época); o diálogo interreligioso; o perigo de absolver os valores da Modernidade (consumismo, individualismo, hedonismo, relativismo, subjetivismo, etc.) casais em segunda união.
Por isso, é preciso que o modelo de presbítero seja o de Cristo Bom Pastor, mas antenado com a realidade para dialogar com o mundo universitário e urbano; comprometido com os anseios do povo de Deus e com a formação permanente. Foram dias de reflexão e de aprofundamento com a presença gratificante de Dom Adriano (Floresta) e Dom Frei Magnus (Salgueiro).
Algumas propostas foram dadas pelos seminaristas para fomentar o espírito missionário para serem analisadas pelos Bispos do nosso regional como:
- Intercâmbio missionário entre os seminaristas do regional NE II nas férias;
- Criação de Instituto para formação missionária no Regional NE II para seminaristas, padres, religiosos(as) e leigos que se identificam com a missão continental;
Por tudo isso, posso dizer que valeu a pena viajar 10h para vivenciar esses momentos. O Próximo encontro acontecerá de 23 à 26/01/2012 em Natal-RN.

LITURGIA DIÁRIA

“É feliz quem a Deus se confia”.

Primeira Leitura: Jr 17,5-10
Sl 1
Evangelho: Lc 16,19-31

“A paz é a ordem, a harmonia em cada um de nós; é uma alegria contínua que nasce do testemunho” (São Pio de Pietrelcina)

quarta-feira, 23 de março de 2011

SACERDOTES E TEÓLOGOS PRECISAM DE MAIS METAFÍSICA


Apresentada reforma dos estudos eclesiásticos de filosofia

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 22 de março de 2011 - É necessário aumentar os estudos dedicados à filosofia, não como uma extensão das ciências humanas, mas entendida no seu núcleo central: a busca da verdade, acompanhada por uma disciplina estrutural como a lógica, em um período histórico em que a razão é ameaçada pelo relativismo.

Este é um dos temas centrais do "Decreto de reforma dos estudos eclesiásticos de filosofia", aprovado pelo Papa Bento XVI em 28 de março e apresentado hoje, em coletiva de imprensa, pelo cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica.

Existe atualmente grande "fraqueza na formação filosófica de muitas instituições da Igreja".

Isso, também, "em uma época em que a própria razão é ameaçada pelo utilitarismo, pelo ceticismo, pelo relativismo e pela desconfiança da razão para conhecer a verdade sobre os problemas fundamentais da vida", constatou.

Esta reforma, portanto, leva a cabo as recomendações feitas na encíclica ‘Fides et ratio', de João Paulo II, já que "a teologia sempre teve e continua tendo necessidade da filosofia". Caso contrário, disse o cardeal, "a teologia não tem o chão sob seus pés".

Que filosofia?

O cardeal Grocholewski explicou que a intenção da Igreja é recuperar a metafísica, isto é, uma filosofia que volte a apresentar as questões mais profundas do ser humano.

Os avanços tecnológicos e científicos, afirmou, "não abrangem a totalidade do saber; sobretudo, não saciam a sede do homem sobre as perguntas últimas: em que consiste a felicidade? Quem sou eu? O mundo é resultado do acaso? Qual é o meu destino? Hoje, mais do que nunca, as ciências precisam de sabedoria".

Pretende-se, portanto, "recuperar a vocação original da filosofia, ou seja, a busca da verdade e da sua dimensão sapiencial e metafísica", insistindo "na necessidade de ampliar os espaços da racionalidade", por um lado, e de "defender-se do perigo do fideísmo", por outro.

"O cristianismo pressupõe uma harmonia entre Deus e a razão humana. A busca filosófica pode, portanto, confiar, e o crente pode evitar opor à sua fé uma verdade encontrada com a razão."

"A importância da filosofia está diretamente ligada ao desejo humano de conhecer a verdade e organizá-la. A experiência mostra que o conhecimento da filosofia ajuda a organizar melhor, em cooperação com outras disciplinas, o estudo de qualquer ciência."

"A metafísica quer conhecer o conjunto da realidade - que culmina com o conhecimento da ‘Causa primeira' de tudo - e mostrar a inter-relação entre os vários campos do saber, evitando o encerramento de cada ciência em si", acrescentou o reitor da ‘Angelicum'.


postado pela Zenit em: 23/03/2011

EXPERIÊNCIA QUE ANIMA A VOCAÇÃO

SEMINARISTAS MISSIONÁRIOS: UMA EXPERIÊNCIA QUE ANIMA A VOCAÇÃO SACERDOTAL

Francisco Lima dos Santos
(Seminarista da Diocese de Santarém-Pará)

Neste ano de 2011, fui enviado para fazer um ano de missão na Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia, na região sul do Pará. Meu Bispo, Dom Esmeraldo Barreto de Farias, bispo da Diocese de Santarém, percebeu a necessidade de se formar padres que sejam missionários. Padres que saibam dialogar, escutar, partilhar, caminhar junto com o povo e que busque construir uma Igreja viva e missionária. É claro que a missão também parte de um convite especial não somente do Bispo, mas primeiramente de Deus. Por isso respondi a esse apelo, porque antes de ser padre, desejo primeiramente sentir a manifestação do amor de Deus em mim que se dá por meio do contato com o povo de Deus, pela escuta atenta da Palavra e pela oração.
Todos os anos participo da experiência missionária, um momento de encontro com as famílias, lideranças de comunidades de diversas áreas pastorais da minha Diocese. Momento de encontro também com seminaristas de outras dioceses do Brasil. Eles partilham suas experiências de missão e torna a experiência missionária mais rica. Mas essa não é a única forma de se fazer missão. Em cada lugar isso acontece com seus objetivos próprios e seu modo peculiar de organização, pedagogia e formação dos missionários.
Aqui, na Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia, o Bispo Dom Dominique You acredita que a missão também deve se estender às escolas das diversas cidades da Diocese, aos leigos e às lideranças por meio da Missão Itinerante e Missão da Caridade. Todos os seminaristas desta Diocese fazem essa experiência. Estou aqui com esse objetivo, de levar a Boa Nova a outras pessoas, mas principalmente aprender ser humilde para acolher esse novo jeito de fazer missão.
É uma pena que nem todos os seminaristas estejam abertos para a prática missionária. Alguns afirmam que tem medo do desconhecido. Outros acham que o importante é ser padre logo, só depois eles decidem se querem ser padres missionários. Alguns dizem que só fazem missão porque foi uma exigência do Bispo, etc. Isso porque estão voltados primeiramente para si, para seus objetivos e não para a missão. “É evidente que, voltados para nós mesmos, vamos sofrer menos, porque a perspectiva será a nossa, e podemos nos defender. Mas, se estamos voltados para a missão, teremos a alegria de seguir os passos de Jesus missionário”.
Sou feliz por ser um seminarista missionário. Participei de várias experiências de missão, mas isso não significa que já sei de tudo.  Na verdade há sempre algo novo que se apresenta na nossa frente. “A missão é sempre uma escola, na qual aprendemos muito e a cada dia”. Confesso que tive medo quando fui enviado. Antes de viajar, muitas pessoas chegaram a afirmar que o Sul do Pará é um lugar violento, de guerrilhas e que eu não deveria confiar nas pessoas daqui. Outras pessoas pediram que eu desistisse da viagem. Mas não permiti que o medo tomasse conta da minha vida. E que desistir não seria o caminho. O Apóstolo Paulo não desistiu quando ficou sabendo das ameaças dos judeus em Jerusalém. Ele sabia da missão que recebera e estava preparado para enfrentar cadeias e tribulações “Mas de forma alguma considero minha vida preciosa a mim mesmo, contanto que leve a bom termo a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus; dar testemunho do Evangelho da graça de Deus” (At 20, 24). É o próprio Jesus quem faz o apelo: “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. (Mc 16, 15). Não importam as dificuldades que se apresentam em cada missão. Confiante no Senhor encontro forças para superá-las. O Senhor é minha luz e salvação, de quem terei medo?  O que me faz feliz é quando percebo que o outro estar feliz por ter conhecido Jesus, é quando vejo o sorriso no rosto de cada pessoa, é saber que contribuí para o bem do outro e que este está bem porque foi ajudado. Assim, não há motivo para ter medo. O Senhor nos diz: “Não tenham medo” (Mt 28, 5).  “O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo”. (DAp 14).
Portanto, vejo que um ano de missão não quer dizer que já posso ser padre, mas sei que devo estar em estado permanente de missão. O seminarista tem que primeiramente desejar fazer essa experiência como a “do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 29-37), que nos dá o imperativo de nos fazer próximos, especialmente com quem sofre, e gerar uma sociedade sem excluídos, seguindo a prática de Jesus que come com os publicanos e pecadores (cf. Lc 5, 29-32), que acolhe os pequenos e as crianças (cf. Mc 10, 13-16), que cura os leprosos (cf. Mc 1, 40-45), que perdoa e liberta a mulher pecadora (cf. Lc 7, 36-49; Jo 8, 1-11), que fala com a Samaritana (cf. Jo 4, 1-26).” (DAp 135). Esta é a experiência que desejo fazer durante esse ano de 2011. Peço que façam orações por todas aquelas pessoas apaixonadas por Cristo, que responderam sim a este chamado para a missão e anunciam a salvação a todos os povos por meio d’Ele.

LITURGIA DIÁRIA

“Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus”.



Primeira Leitura: Jr 18,18-20
Sl 30
Evangelho: Mt 20,17-28



“São em maior número as coisas que o tempo cura do que as coisas que a razão concilia” (Plutarco)

terça-feira, 22 de março de 2011

O CONTO DA VIDA!

O FIO DA ARANHA

Certo homem morreu sem sinais de arrependimento pelas maldades cometidas. Por isso, acabou no inferno. Ali sofria horrores e amarguras. Um dia, porém, seu coração foi tocado pela luz do arrependimento. Ajoelhou-se diante dele um anjo e lhe disse:
- Deus ouviu o seu clamor. Mandou-me para ajudá-lo a sair destes tormentos. Mas primeiro preciso lhe fazer uma pergunta: Você se recorda de algum ato de caridade que tenha realizado em toda a sua vida?
- Ó Deus de misericórdia, tende piedade de mim, pois não me recordo de nenhum ato de caridade que, porventura, tenha feito. Sou pecador e fui cruel para com todos. Misericórdia!
- Deus olhou para a sua miséria. E como ele não pode vir aqui para buscá-lo, você terá que subir por sua conta. Cairá um fio de aranha e, agarrando-se a ele, poderá subir e sair deste sofrimento.
Depois de dizer isso, o anjo desapareceu e o homem viu baixar um fio de aranha que ele chegou a duvidar que o suportaria. Incrédulo, agarrou o fio e experimentou sua resistência. Verificada sua força, iniciou a escalada. Quando estava a uma boa altura, olhou para baixo e, cheio de raiva, viu que outros homens subiam pelo mesmo fio. Então se pôs a chutar e a dar pontapés no primeiro que o segui. Este, por sua vez, resistindo ao ataque, revidava com socos. Possuídos pelo sentimento de egoísmo, que não suporta a liberdade alheia, criaram uma confusão tão grande que o fio se partiu devolvendo todos ao lugar de origem. E ali continuaram padecendo.
Assim, o fio que seria suficiente para levar muitos ao paraíso, rompeu-se com o peso do Egoísmo que se aloja no coração do homem.

Braz Rabelo

A ORAÇÃO: ALIMENTO DO ESPÍRITO

É preciso recuperar o sentido da verdadeira religião

A oração é a forma de comunicação entre o humano e o divino. Ela está presente em todas as religiões: Judaísmo, Hinduísmo, Islamismo, Budismo, Cristianismo. Na história das civilizações não existem povos a-religiosos, todos tem uma crença em alguma divindade e manifestam essa experiência mística através da oração.
No cristianismo, nós temos o hábito de santificar o tempo através da oração nas mais diversas horas do dia: madrugada, manhã, meio-dia, tarde, noite. Uma herança judaica, que deve ser conservada e incentivada para que as novas gerações não percam o respeito e o amor pelo sagrado. Pois, assim como o nosso corpo precisa de no mínimo três refeições para se manter forte e sadio, também nosso espírito precisa do alimento espiritual para a mesma finalidade.
Hoje numa sociedade corrompida pelo hedonismo (prazer por prazer), pelo consumismo, subjetivismo, individualismo, etc; onde o ter é mais importante do que o ser, as pessoas buscam uma religião que satisfaça as suas necessidades, o seu ego e bem estar. E, por isso, fabricam os seus deuses, de modo que, possa curar suas enfermidades, eliminando a dor e o sofrimento e proporcionando felicidade e riqueza a curto prazo, é o mal do imediatismo e da teologia da prosperidade.
Portanto, é preciso recuperar o sentido da verdadeira religião que é religar o homem a Deus, e a oração é o elemento essencial nesta batalha espiritual. Assim, devemos tomar como exemplo o próprio Cristo, que inúmeras vezes se retirava para orar ao Pai. (Mt 14,23) Ele mesmo nos ensina a oração do cristão: O Pai-Nosso (Mt 6, 9-15), a oração em comum era uma das virtudes dos primeiros cristãos (At 2,42) e em todos os momentos de dificuldade, a oração é a arma dos cristãos. Pois a oração do justo tem grande poder e eficácia (Tg 5, 16).
Nos momentos decisivos da vida de Jesus ele recorreu à oração: No Getsêmani, Jesus orou: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice. Todavia, seja feita a tua vontade e não a minha”. (Mt 26, 39) e pediu a todos para vigiar e orar para não cair em tentação. Portanto, precisamos mais do que nunca recorrer à oração para alimentar o nosso espírito e fortalecidos por ela, podermos ser luz para os nossos irmãos e irmãs que vivem nas trevas.

Por: Cláudio Dantas de Oliveira

LITURGIA DIÁRIA

“A todos os que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.


Primeira Leitura: Is 1,10.16-20
Sl 49
Evangelho: Mt 23,1-12





“Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água” (Thomas Fuller)

segunda-feira, 21 de março de 2011

SEMINARISTA FRANCISCO FALA SOBRE O VALOR DO CELIBATO

Celibato: “liberdade ou opressão maléfica”?

O sentido etimológico da palavra celibato vem do latimcaelibatus” que significa "não casado". Como se sabe, na sua definição literal, é uma pessoa que se mantém solteira, mantendo a castidade, não tendo relações sexuais.
A castidade se relaciona subjetivamente com a pessoa: pode-se dizer que é uma tarefa eminentemente pessoal. A castidade é, na verdade, um dom de Deus. E esse “dom” nos foi dado perfeitamente através de seu Filho Jesus, alicerce do celibato. Somos livres e desempedidos para aderirmos ou não a este “dom”.
Como alguém pode dizer que o catolicismo oprime e obriga os seus fiéis e os sacerdotes a viver a castidade? E que obrigá-los a viver o celibato é um grande mal? É algo incompreensível!
A certeza que se tem é: somente compreende o porquê do celibato quem o entende de verdade antes de praticá-lo. O catolicismo promove a total liberdade de escolha para seus filhos. Ninguém é obrigado a ser celibatário, e aquele que não vive a castidade não quer dizer que vai para o inferno. Da mesma forma, ninguém é obrigado a aceitar a religião X ou Y ou ter Jesus em sua vida. Como foi dito acima, somos seres livres para escolhermos e distinguirmos entre o bem e o mal.
Então, é por isso que o cristianismo defende com toda convicção a prática do celibato: o Mestre, sinal perfeito e visível, foi um celibatário - isto diz a nossa fé – e assim instruiu seus seguidores (os cristãos) a fazerem o mesmo: “Dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, também vós o façais” (cf. Jo 13,15). O celibato tornou-se obrigatório para seus sacerdotes somente no século XII; antes disso não era regra de vida sacerdotal. Talvez por causa desse fato, seja tão criticada a aderência a este dom.
Observa-se uma Igreja Católica mais frágil, antes de aderir ao celibato. Isso se relacionando às tentações, às quedas e às depravações que a história nos mostra.
Diante de todas as crises internas atuais que o catolicismo vem enfrentando, não deve ser isso motivo para a abolição de algo que tem identidade tão presente na Igreja. É necessária em grau extremo a permanência desta arma contra o inimigo. É com a vivência da castidade que o sacerdote descobre a grandeza da sua vocação, que o leva a abraçar na vida essa perfeita continência, observando sempre o exemplo maior: a virgindade de Cristo. Sem a castidade, certamente, o sacerdote torna-se muito mais fraco.
O número dos que duvidam de uma castidade concreta cresce a cada dia. Fazem mais ou menos dez dias, houve uma discussão com alguém a respeito disso. Simplesmente a pessoa julgou, através de uma visão modernista, que o celibato é algo imposto pela Igreja. E que a Igreja sabe que o celibato é algo antinatural, só não assume! Na verdade a pessoa quis dizer que o ser humano (em particular o padre) não consegue viver profundamente o celibato.
Para defender este princípio, que faz um bem imensurável à Igreja de Cristo, João Paulo II (in memoriam) afirma em uma carta destinada aos sacerdotes: “fruto de equívoco — se não mesmo de má fé — é a opinião, com freqüência difundida, de que o celibato sacerdotal na Igreja Católica é apenas uma instituição imposta por lei àqueles que recebem o sacramento da Ordem. Ora, todos nós sabemos que não é assim. Todo o cristão que recebe o sacramento da Ordem compromete-se ao celibato com plena consciência e liberdade, depois de preparação de vários anos, profunda reflexão e assídua oração. Toma essa decisão de vida em celibato, só depois de ter chegado à firme convicção de que Cristo lhe concede esse «dom», para o bem da Igreja e para serviço dos outros. Só então se compromete a observá-lo por toda a vida”.
Além disso, a Palavra de Deus ensina que a castidade é um estado de honra e que nem todos podem adquiri-la. “Solteiro o homem está preocupado com as coisas do Senhor, a forma de agradar ao Senhor. Porém, o homem casado está preocupado com as coisas mundanas, como agradar à sua esposa, e seus interesses estão divididos. E a mulher solteira está preocupada com as coisas do Senhor, como ser santa no corpo e espírito. Mas a mulher casada está preocupada com as coisas mundanas, como para agradar o marido. Digo isto para seu próprio benefício, para não estabelecer qualquer restrição sobre você, mas para promover a boa ordem e para garantir a sua indivisa devoção ao Senhor." (I Cor 7, 32-35).
Portanto, tendo em vista essas palavras, livremente conscientiza-se: aquilo que está na essência é o princípio. Olhando para Jesus, o único e perfeito exemplo, pode-se dizer: lá está o autêntico fundamento do celibato. Jamais malefício, mas um grande e importante benefício. Agora, obviamente que isso só ganha fundamento concreto se puder se levar em consideração, usando da liberdade, o que se chama de hierofania (manifestação) do Espírito Santo de Deus. E bem se sabe: durante esses dois mil anos já passados, a Igreja foi guiada e iluminada por este mesmo Espírito Santo. E ainda hoje é, e eternamente será.
Atenciosamente:
Sem.Francisco de Assis da Silva

LITURGIA DIÁRIA

“Sede misericordioso, como vosso Pai é misericordioso”.


Primeira Leitura: Dn 9,4-10
Sl 78
Evangelho: Lc 6,36-38


“Rezar é oferecer-nos a Deus para que Ele possa fazer em nós o que quiser” M. G. Guillot

domingo, 20 de março de 2011

LITURGIA DIÁRIA

"Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer três tendas: Uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias"

II DOMINGO DA QUARESMA
(Cor roxa)
Primeira Leitrua: Gn 12,1-4
Sl: 32
Segunda Leitura: 2Tm 1,8-10
Evangelho: Mt 17,1-9



Ouvir a voz de Jesus é ser prudente

Nesse segundo Domingo da Quaresma Jesus se apresenta como o novo Moises, não mais com o rosto coberto, mas com o rosto luzente e, com Ele a Lei e os profetas, Ele revela qual é a sua missão.
Sua forma gloriosa que, transitória, pois, Jesus ainda estava na ordem de “Servo”, tem por fim seus discípulos vendo apenas o Mestre, isso para que todos percebessem que só Ele basta. Dando também assim o anúncio de sua Paixão.
Olhar para Jesus transfigurado é vê que Deus tem misericórdia pela humanidade; misericórdia essa que é provada num amor incomparável. É estar a disposição e fazer a vontade de Deus Pai. “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o!”
Por nossa mancha do pecado, nossas fraquezas, ouvir a voz de Deus é tendencioso desviar o nosso olhar de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, Jesus é Senhor de misericórdia e se compraz de todos nós e, nos manda levantar e também a descer e fazer a vontade do Pai.
É momento favorável, não desperdicemos a graça de Deus. Ouvir a voz de Jesus é ser prudente, é ser sábio diante de tanta injustiça e contra testemunho. Jesus é o cordeiro de Deus aquele que tira o pecado do mundo.
Reflexão feita por Emanoel
Correção Pe. Agostinho

sábado, 19 de março de 2011

O QUE SABEMOS SOBRE SÃO JOSE

As notícias que temos sobre São Jose nos chegam, sobretudo, pelo Evangelho da Infância de Mateus. Em seus dois primeiros capítulos, o “mocinho” é José, noivo e esposo de Maria e pai (adotivo) de Jesus. Também os Evangelhos apócrifos e a moderna arqueologia nos trazem dados e hipóteses. Vejamos:
A)     A compreensão teológica de Mateus nos diz que:
1)      José é um homem justo. Em linguajem bíblica, é tanto quanto dizer que é santo. Porque,
2)      O justo vive da palavra de Deus, da vontade de Deus, em seu cumprimento. Assim:
a)      Quando Maria aparece grávida, ele decide, para não prejudicá-la, abandoná-la em segredo. Se a denunciasse, Maria poderia, de acordo com a lei, ser apedrejada até a morte. Mas o anjo traz mensagem da parte de Deus e José aceita Maria como esposa.
b)      Quando Herodes procura o menino para o matar, mais uma vez José obedece a voz do anjo e emigra para o rico Egito, onde havia grandes colônias judaicas,
c)       Donde voltará, seguindo novamente a mensagem do anjo, para a Judéia após a Morte de Herodes o Grande, no momento do governo de seu filho, Arquelau. Mas o destino final é Nazaré, pois a crueldade de Arquelau nada tinha a invejar àquela do pai.
3)      E tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras que Mateus, cujo evangelho é dirigido aos judeus, cita constantemente; assim, pois, estamos perante um relato francamente teológico.

B)      Também os evangelhos apócrifos (ou melhor, extra-canônicos) nos trazem algumas informações sobre Jose. Por exemplo, nos contam seu casamento com Maria. Neles encontramos que Jose era um homem de idade avançada e que tinha seus próprios filhos de um casamento anterior que seriam assim meio-irmãos de Jesus. Também nos contam a piedosa morte de Jose, sendo acompanhado por Jesus em sua última agonia, consolando-o em sua passagem para a vida eterna. Penso que nunca saberemos ao certo se estes dados são fidedignos ou não. Mas, certamente fazem parte em muitos lugares do mundo de piedosas tradições sobre São José, ao ponto de grandes obras de arte terem se inspirado neles.

C)      Também as recentes descobertas tanto da arqueologia quanto da exegese levantam hipóteses interessantes sobre José e Jesus. Sabemos que Nazaré era uma vila pequena com uns duzentos ou trezentos habitantes e, portanto, não teria muito trabalho para um “carpinteiro”. Sabemos também que a profissão de carpinteiro não era apenas, a de um homem que trabalha a madeira, mesmo que também fosse. Na realidade, a profissão de carpinteiro no século I era a que corresponderia hoje a um mestre de obras. José era um trabalhador qualificado e, conseqüentemente, Jesus também. Nazaré que era uma cidade pequena de camponeses estava situada a uns seis quilômetros de Séforis que era a capital da Galileia. No ano 4 a. C., quando Jesus teria dois ou três anos, por ocasião da morte de Herodes o Grande, havia sido completamente destruída. Fora reconstruída por Herodes Antipas na juventude de Jesus. Não poucos autores atuais pensam que tanto José quanto Jesus trabalharam na reconstrução de Séforis, cidade importante com a administração pública e uma vida cultural intensa, dado que contava até com um teatro grego. A vida de José, mas também a de Jesus foi simplesmente: trabalhar.
Resumindo e concluindo:
1)      José foi um trabalhador qualificado que, com Jesus e Maria, vive consagrado ao seu trabalho de carpinteiro ou mestre de obras;
2)      José foi um homem justo e santo. Sua vida se realizou de acordo com a Lei e a vontade de Deus.
3)      Jose foi o esposo (casto) de Maria e pai (adotivo) de Jesus, nosso Senhor. Ele cuidou deles com seu trabalho e consagração, de acordo com a vontade de Deus. Sua atuação na infância e na primeira juventude de Jesus foi decisiva.
4)      Jose morreu nos braços de Jesus e, por isso, em muitos lugares do mundo é lembrado como “Padroeiro da boa morte”.
Que São Jose seja para nós um exemplo de trabalho, de consagração e de amor a Jesus e a Maria. E que seja também nosso intercessor para que nossa passagem para a vida eterna seja como a dele: nas mãos de Jesus.

Pe. AGUSTIN CALATAYUD SALON, SJ

LITURGIA DIÁRIA

“Eis que sua descendência durará eternamente”
19 DE MARÇO DIA DO GLORIOSO SÃO JOSÉ

Primeira leitura: 2Sm 7,4-5.12-14.16
Sl 88
Segunda Leitura: Rm 4,13.16-18.22
Evangelho: Mt 1,16.18-21.24

“São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria” (São Bernardino de Sena)



“Foi ele, de fato, que guardou com sumo amor e contínua vigilância a sua esposa e o Filho divino"

Neste sábado celebramos a solenidade litúrgica daquele que é invocado como esposo da Bem-aventurada Virgem Maria e Padroeiro da Igreja Universal. O Papa Leão XIII, em 15 de agosto de 1889, publicou a Encíclica Quamquam pluries, através da qual recordava o valor da devoção e, consequentemente, incentivava o culto de veneração ao glorioso São José. Diz-nos o Papa:
“Recomendamos, além disso, aos fiéis daquelas nações nas quais o dia 19 de março, consagrado a São José, não esteja incluído entre as festas de preceito, que não deixem por quanto possível, de santificá-lo ao menos em particular, em honra do celeste Patrono, como um dia festivo”.
Nossa celebração anual, neste mês em que a piedade popular chama de mês de São José, já que são tantas as catedrais, inúmeras as paróquias e quase incalculáveis as capelas a ele dedicadas, muitos devotos prestam o culto de veneração àquele que é cognominado “justo”.
Diz o Papa Leão XIII: “vimos um grande progresso no culto a São José, anteriormente promovido pelo zelo dos Sumos Pontífices, depois estendido a todo o mundo, especialmente quando Pio IX, nosso predecessor de feliz memória, a pedido de muitíssimos bispos, declarou o Santo Patriarca, Patrono da Igreja Católica. Todavia, por ser muito importante que o seu culto penetre profundamente nas instituições católicas e nos costumes, queremos que o povo cristão receba da nossa própria voz e autoridade todo o incentivo possível. As razões pelas quais São José deve ser tido como Patrono da Igreja – e a Igreja por sua vez espera muitíssimo da sua especial proteção – residem, sobretudo, no fato de que ele é esposo de Maria e pai putativo de Jesus Cristo. Daqui derivam toda a sua grandeza, graça, santidade e glória...” “Foi ele, de fato, que guardou com sumo amor e contínua vigilância a sua esposa e o Filho divino; foi ele que proveu o seu sustento com o trabalho; ele que os afastou do perigo a que os expunha o ódio de um rei, levando-o a salvo para fora da pátria, e nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio foi de Jesus e Maria companheiro inseparável, socorro e conforto”.
Que São José, homem justo, que foi escolhido para ser esposo da Mãe de Deus, servo fiel e prudente, constituído chefe da vossa família, para guardar com paternal solicitude o vosso Filho unigênito, Jesus Cristo, Nosso Senhor, interceda sempre por nós junto a Ele, e interceda de modo especial pelo Nosso Santo Padre Bento XVI, que o tem como padroeiro onomástico (Joseph).
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ – postado pelo Site da CNBB